E fuimos mais um ano ao Festival de cinema gay e lesbico "Queer Lisboa", já pela edição 13...
Vimos estes 3 filmes.
Pedro, de Nick Oceano (EUA, 2008, 93’) v.o. inglesa s/ legendas
Do mesmo argumentista do recente filme Milk, de Gus Van Sant, Pedro é a adaptação cinematográfica da vida de Pedro Zamora, que se tornou famoso ao participar no reality show da MTV, The Real World. Nascido em Cuba, Zamora emigrou para os E.U.A. em 1980. Filho mais novo de uma família bastante unida, a sua vida mudou aos 13 anos quando a mãe morreu. Sendo já um aluno excepcional, deixou-se submergir nos estudos. Aos 17 anos, e depois de ter tido relações sexuais não protegidas, descobriu que era seropositivo. Após ter absorvido o choque inicial, Zamora tomou uma decisão que mudou a sua vida, ao resolver tornar-se activista e educador.
Fez audições para a temporada de São Francisco do The Real World da MTV, que lhe pareceu a oportunidade perfeita para divulgar a consciencialização do VIH/Sida. A exposição mediática trouxe a Pedro reconhecimento a nível mundial. Para milhões de pessoas, ele era a única pessoa a viver com o VIH que conheciam.
Wu Sheng Feng Ling Soundless Wind Chime, de Kit Hung(Hong Kong, Suiça, 2009, 100’) v.o. suiço-alemã, inglesa, mandarim e cantonesa, legendada em inglês
Soundless Wind Chime relata a poética viagem de Ricky, em busca da alma perdida e do passado do seu falecido amante suíço, Pascal. O filme mostra-nos as batalhas pelo amor, luxúria, realidade, memória e ilusão, bem como o lamento que todos enfrentamos diariamente. Ricky, um imigrante chinês recém-chegado a Hong Kong, e Pascal, um suíço de 27 anos que se rebelou contra as fronteiras morais da sua sociedade natal, conhecem-se em Hong Kong. Ricky trabalha como empregado de mesa num restaurante local e vive com a tia, uma prostituta de rua. Pascal é um ladrão, aproveitando-se das suas regalias enquanto cidadão europeu nesta cidade asiática pós-colonialista. Após ter sido abusado pelo seu companheiro de quarto, Pascal vai morar com Ricky. Embora Ricky facilite a integração de Pascal na cultura local, a vida não é fácil para estes corações desenraizados.
Ambos se sentem torturados pelo dilema de estarem apaixonados um pelo outro, ou de tratar-se apenas de uma dependência mútua e medo da solidão. Ao passo que Pascal é tentado pelo glamouroso e sensual universo gay de Hong Kong, Ricky mantém-se fiel às suas crenças e aguarda um sinal de verdadeiro amor. Sem sequer dizer adeus, Pascal morre num acidente. Ricky carrega o seu luto e tristeza até à Suíça, procurando pistas sobre Pascal num anónimo vilarejo. Quando visita uma bonita loja de quinquilharias, Ricky conhece Ueli, um homem fisicamente idêntico a Pascal, mas com uma personalidade totalmente diferente…
Strella A Woman’s Way, de Panos H. Koutras (Grécia, 2009, 113’) v.o. grega legendada em inglês
Yiorgos é libertado da prisão após 14 anos a cumprir pena por um crime que cometera na sua aldeia natal, na Grécia. Ele passa a sua primeira noite de liberdade num hotel barato da baixa de Atenas. Aí conhece Strella, uma jovem prostituta transsexual. Passam a noite juntos e depressa se apaixonam. Mas o passado depressa vem assombrar Yiorgos. Com Strella do seu lado, ele tem de procurar novas saídas. Uma extraordinária e fascinante relação, uma tragédia grega pós-moderna sob as luzes brilhantes de Atenas, a narrativa de Strella é o tipo de história contada ao final de uma noite, uma lenda urbana. Histórias que normalmente incorporam um elemento
de consciência colectiva, com referências directas a mitos e arquétipos – aqui, da cultura Grega. E é disso que são feitos os heróis deste filme: Gregos, vivendo num país entre a antiguidade e a contemporaneidade, onde a necessidade de uma nova identidade europeia e de um novo sistema de valores é mais pesada que nunca.
Dividida entre oriente e ocidente, a Grécia procura rever a sua herança cultural, sem preconceitos, ensaiando o seu lugar no futuro.