
“Three Times” revela-se um filme orgânico composto por três vinhetas inter-reflexivas sobre Amor platónico, Amor impossível e Amor sexual. O realizador de Taiwan continua a ruminar na simbiose do passado com o presente, perfeitamente ciente que o Cinema também representa a construção das Memórias do Futuro.
Delineando as eras com potentes detalhes visuais, Hsiao-hsien trabalha com as mutáveis texturas das horas, não apenas sugerindo que os minutos passam de forma diferente quando nos encontramos enamorados, como também capturando essa qualidade mística em filme.
Esta é a visão de um dos cineastas mais perceptivos e emotivos do nosso tempo. Revisitando e expandindo seus temas predilectos, o realizador da Formosa desconstrói formosos padrões emotivos, cogitando na sociedade moderna e dissertando não apenas sobre o Amor, mas também sobre a Percepção do Amor, discorrendo sobre a influência de paradigmas geracionais nas emoções do Ser Humano.
“Three Times” é mais um suspiro (por vezes amargurado) do autor vanguardista subjectivo. É uma obra imensa que transborda os paroxismos da Supra-Emoção.
